este tanger dos sinos
pela madrugada, uma récita
a dizer dor a dizer morte,
e depois as sirenes
a tantas as horas.
o frenesi repisado
das sirenes, palidez
no interior do fino aguaceiro,
gotas de sangue pelas artérias
da cidade.
uma urgência desabrida
a romper rumos,
como espuma de águas picadas
em desvio dos penhascos
em arremesso ao areal.
sulcos invisíveis
aos olhares de pedra,
às paredes escoadas de água
nos instantes de luz enfermiça
que o sol consente no horizonte.
5 de Novembro de 2009
26 de Outubro de 2009
o alvoroço do vento, transtorno
na travessia da luz matinal.
suspeito o labor encurvado
na tremura dos campos,
a débil resistência das folhas
no desassossego das ramagens,
a despedida acelerada das aves
sacudidas nas asas da sua intuição,
as águas nervosas do alto mar
a roncarem por dentro das casas.
diz o vento evidências dos lugares.
e eu escuto este linguarejar pulmonar.
respiro agora a janela aberta da casa
por onde as vagas de cortinados fogem,
como fogem todos os instantes da vida.
na travessia da luz matinal.
suspeito o labor encurvado
na tremura dos campos,
a débil resistência das folhas
no desassossego das ramagens,
a despedida acelerada das aves
sacudidas nas asas da sua intuição,
as águas nervosas do alto mar
a roncarem por dentro das casas.
diz o vento evidências dos lugares.
e eu escuto este linguarejar pulmonar.
respiro agora a janela aberta da casa
por onde as vagas de cortinados fogem,
como fogem todos os instantes da vida.
12 de Outubro de 2009
ferozes, as portas abrem e fecham
como golpes sucessivos de mar
contra a superfície da moradia.
formas de desastrado furor na fuga do desencanto.
a rebentação irada dos passos sobre o soalho.
as grades verticais sobre os jovens lábios mudos.
a implosão do corpo na orla do momento seguinte.
como golpes sucessivos de mar
contra a superfície da moradia.
formas de desastrado furor na fuga do desencanto.
a rebentação irada dos passos sobre o soalho.
as grades verticais sobre os jovens lábios mudos.
a implosão do corpo na orla do momento seguinte.
2 de Outubro de 2009
não conservei as flores que me deste.
rosas da roseira brava do alpendre vizinho,
enlaçaste-as e estendeste-mas sorridente
e eu segurei o ramo em risos pueris,
rosas rubras na floração dos meus braços.
tempos houve em que o céu amanhecia de azul
a praia onde respirávamos fábulas transparentes
e a orla das marés vinha mansa, acariciar-me.
as gaivotas estridentes riam do alto dos penhascos.
nós escalávamos sem medo até ao ponto mais alto,
eu rasgava o vestido nas silvas e não me importava.
recordo efémeros passeios pelos declives do entardecer,
anos depois, com amigos de silêncios e paixões.
mas não conservei as flores que me deste.
rosas da roseira brava do alpendre vizinho,
enlaçaste-as e estendeste-mas sorridente
e eu segurei o ramo em risos pueris,
rosas rubras na floração dos meus braços.
tempos houve em que o céu amanhecia de azul
a praia onde respirávamos fábulas transparentes
e a orla das marés vinha mansa, acariciar-me.
as gaivotas estridentes riam do alto dos penhascos.
nós escalávamos sem medo até ao ponto mais alto,
eu rasgava o vestido nas silvas e não me importava.
recordo efémeros passeios pelos declives do entardecer,
anos depois, com amigos de silêncios e paixões.
mas não conservei as flores que me deste.
24 de Setembro de 2009
sabemos como as amoras silvestres
escorrem licorosas nas bocas,
sílabas doces de tardes quentes.
sílabas sequiosas do poema,
segredos da linguagem do amor
inscritos nas silvas maduras
como ramos únicos de sensíveis,
instintivos no aroma dos troncos,
que se entrelaçam num labirinto de luz
de uma margem e outra do caminho.
escorrem licorosas nas bocas,
sílabas doces de tardes quentes.
sílabas sequiosas do poema,
segredos da linguagem do amor
inscritos nas silvas maduras
como ramos únicos de sensíveis,
instintivos no aroma dos troncos,
que se entrelaçam num labirinto de luz
de uma margem e outra do caminho.
13 de Setembro de 2009
POUCOS DIAS NO VERÃO
Dez horas da manhã. Ainda húmido o areal com os grãos de areia insistindo em se colarem aos pés. Na realidade, ainda deveriam ser umas oito horas (efeitos das alterações à hora solar) a avaliar pela ausência de sol, pela ausência de pessoas... Pelo menos, saboreia-se a solidão só possível numa praia deserta a perder de vista, no nevoeiro que oculta o horizonte mas abraça os solitários que o buscam. É sonoro o sussurrar do mar, esbranquiçado pela espuma, implacável, esparzindo violentamente todas as suas partículas sobre as águas de um verde tão escuro que quase afunda na própria profundeza. Se gritasse, minha voz só encontraria resposta naquele marulhar, na brisa fresca da maresia a arrepiar a pele, na espuma que salta os pequenos penhascos, se estende na areia, nela se deita, encharcada. E os meus olhos, seguindo todas as linhas desta névoa sem fim, detêm-se na meia dúzia de surfistas que pacientemente se deixam oscilar em suas pranchas, aguardando as grandes ondas em silêncio.
Doze horas. O sol finalmente sorriu e a névoa retirou-se para longe. As ondas são agora mais calmas, mais tranquilas, sucedendo-se mansamente. Longos cordões de espuma quebram-se e dobram-se a ritmos diferentes, estendendo-se pelas águas até ao areal. No horizonte, o verde do mar pinta-se do azul do céu e o ar torna-se mais luminoso.
Duas crianças caminham a par, seus curtos passos ensaiando uma alegre correria, feita de ziguezagueantes desencontros e alguns tropeções alimentados a gargalhadas, até o cansaço natural as estirar na areia. Mas logo se levantam e correm à beira-mar. Na areia molhada, baldes na mão, apanham todo o tipo de conchas e cascas de mexilhão, pedrinhas e restos de algas, com uma euforia pura, só possível na infância. Encontrar a realização plena em momentos como este é privilégio desta idade ainda destituída de dúvidas existenciais e outras afins.
A paisagem humana não é muito variada, mas é a habitual. Corpos estendidos nas toalhas coloridas, virando-se dum lado e doutro a um ritmo quase cronometrado; alguns, mais friorentos, abrigados em pára-ventos; outros, comodamente recostados em cadeirinhas, à sombra de um guarda-sol, de jornal na mão, percorrendo os títulos do dia. E os pais, mal podendo relaxar e fechar os olhos, dar-se à sonolência convidativa do sol - sempre despertos pelos ruídos ou situações de perigo em que as crianças se aventuram, poderosas e confiantes na sua percepção algo ingénua do mundo. Alguns, após pedidos insistentes, levam os miúdos a molhar os pés e ficam tiritando perto da água com olhos suplicantes, perante os rostinhos impassíveis que não querem sair mais do mar.
Um pouco por todo o lado, “bolos” na areia, bolas lançadas ao acaso, ocasionais atletas de beira de água, iogurtes ou sandes ou bananas devoradas com apetite pelos mais pequenos (ou, nalguns casos mais renitentes, enfiados à força nas boquinhas e muito lentamente mastigados), o sol a aquecer, e adultos a saturar - os caprichos infantis não findam.
A menina tinha as mãos sujas de areia e queria lavá-las no mar, mas ao colo, sem molhar os pés. O pai torcia-se todo, tentando desajeitadamente fazer-lhe a vontade. Caiu-lhe o chapéu à água. O pai apanha-lhe o chapéu. Nova tentativa. Desiste. Desertam os dois rumo às toalhas. Voltam ao mar, desta feita, de balde na mão. Plano b: encher o balde, trazê-lo até às toalhas e, aí, lavar as mãos. Pensado e feito. E logo de seguida, com aquele brilhozinho caprichoso nos olhos, aquela doçura ensaiada na voz, exclama a pequenina: «Já lavámos as mãos, agora vamos sujar outra vez!».
Pela tarde, se me passeio nas ruas estranhamente pouco transitadas e olho o azul vivo da ria, a tranquilidade com que meia dúzia de carros ou bicicletas se cruzam amigavelmente na estrada e, do rádio ligado, crescendos e diminuendos rasgando a corda de um violino, sinto a força da beleza das coisas. Inquietante, no entanto, porque indefinida e carregada de emoção. E a emoção é sempre inquietante, principalmente quando parece querer transbordar. Por vezes, sinto cada momento como um só, outras, não me consigo impedir de sentir em cada momento o momento seguinte, como se retivesse todas as marés em mim sem nunca as distinguir. As ondas trazem essa ânsia permanente.
De quando em quando, há uma curva que descobre o colorido de umas poucas paredes, pequenos recantos de jardim. E, à chegada à vila, tal é a sua quietude que nem os sons de Kodály a acordam da sesta em que mergulha.
Dez horas da manhã. Ainda húmido o areal com os grãos de areia insistindo em se colarem aos pés. Na realidade, ainda deveriam ser umas oito horas (efeitos das alterações à hora solar) a avaliar pela ausência de sol, pela ausência de pessoas... Pelo menos, saboreia-se a solidão só possível numa praia deserta a perder de vista, no nevoeiro que oculta o horizonte mas abraça os solitários que o buscam. É sonoro o sussurrar do mar, esbranquiçado pela espuma, implacável, esparzindo violentamente todas as suas partículas sobre as águas de um verde tão escuro que quase afunda na própria profundeza. Se gritasse, minha voz só encontraria resposta naquele marulhar, na brisa fresca da maresia a arrepiar a pele, na espuma que salta os pequenos penhascos, se estende na areia, nela se deita, encharcada. E os meus olhos, seguindo todas as linhas desta névoa sem fim, detêm-se na meia dúzia de surfistas que pacientemente se deixam oscilar em suas pranchas, aguardando as grandes ondas em silêncio.
Doze horas. O sol finalmente sorriu e a névoa retirou-se para longe. As ondas são agora mais calmas, mais tranquilas, sucedendo-se mansamente. Longos cordões de espuma quebram-se e dobram-se a ritmos diferentes, estendendo-se pelas águas até ao areal. No horizonte, o verde do mar pinta-se do azul do céu e o ar torna-se mais luminoso.
Duas crianças caminham a par, seus curtos passos ensaiando uma alegre correria, feita de ziguezagueantes desencontros e alguns tropeções alimentados a gargalhadas, até o cansaço natural as estirar na areia. Mas logo se levantam e correm à beira-mar. Na areia molhada, baldes na mão, apanham todo o tipo de conchas e cascas de mexilhão, pedrinhas e restos de algas, com uma euforia pura, só possível na infância. Encontrar a realização plena em momentos como este é privilégio desta idade ainda destituída de dúvidas existenciais e outras afins.
A paisagem humana não é muito variada, mas é a habitual. Corpos estendidos nas toalhas coloridas, virando-se dum lado e doutro a um ritmo quase cronometrado; alguns, mais friorentos, abrigados em pára-ventos; outros, comodamente recostados em cadeirinhas, à sombra de um guarda-sol, de jornal na mão, percorrendo os títulos do dia. E os pais, mal podendo relaxar e fechar os olhos, dar-se à sonolência convidativa do sol - sempre despertos pelos ruídos ou situações de perigo em que as crianças se aventuram, poderosas e confiantes na sua percepção algo ingénua do mundo. Alguns, após pedidos insistentes, levam os miúdos a molhar os pés e ficam tiritando perto da água com olhos suplicantes, perante os rostinhos impassíveis que não querem sair mais do mar.
Um pouco por todo o lado, “bolos” na areia, bolas lançadas ao acaso, ocasionais atletas de beira de água, iogurtes ou sandes ou bananas devoradas com apetite pelos mais pequenos (ou, nalguns casos mais renitentes, enfiados à força nas boquinhas e muito lentamente mastigados), o sol a aquecer, e adultos a saturar - os caprichos infantis não findam.
A menina tinha as mãos sujas de areia e queria lavá-las no mar, mas ao colo, sem molhar os pés. O pai torcia-se todo, tentando desajeitadamente fazer-lhe a vontade. Caiu-lhe o chapéu à água. O pai apanha-lhe o chapéu. Nova tentativa. Desiste. Desertam os dois rumo às toalhas. Voltam ao mar, desta feita, de balde na mão. Plano b: encher o balde, trazê-lo até às toalhas e, aí, lavar as mãos. Pensado e feito. E logo de seguida, com aquele brilhozinho caprichoso nos olhos, aquela doçura ensaiada na voz, exclama a pequenina: «Já lavámos as mãos, agora vamos sujar outra vez!».
Pela tarde, se me passeio nas ruas estranhamente pouco transitadas e olho o azul vivo da ria, a tranquilidade com que meia dúzia de carros ou bicicletas se cruzam amigavelmente na estrada e, do rádio ligado, crescendos e diminuendos rasgando a corda de um violino, sinto a força da beleza das coisas. Inquietante, no entanto, porque indefinida e carregada de emoção. E a emoção é sempre inquietante, principalmente quando parece querer transbordar. Por vezes, sinto cada momento como um só, outras, não me consigo impedir de sentir em cada momento o momento seguinte, como se retivesse todas as marés em mim sem nunca as distinguir. As ondas trazem essa ânsia permanente.
De quando em quando, há uma curva que descobre o colorido de umas poucas paredes, pequenos recantos de jardim. E, à chegada à vila, tal é a sua quietude que nem os sons de Kodály a acordam da sesta em que mergulha.
in Revista “Sol XXI”, 1995
31 de Agosto de 2009
LEITURAS # 29
Nenhum regresso está preso às pálpebras.
Explicam-me, por fábulas, que só o que resta
do Verão é sensível à luz - como as ombreiras das
portas ou o restolho batido pela impossibilidade
do vento - e eu acredito.
Alguma coisa há de verdade em tudo isto
(nenhum regresso está preso às pálpebras):
olho por dentro do silêncio e o negrume
é nítido como um grito.
Sandra Costa, «Nenhuma Flor»
Explicam-me, por fábulas, que só o que resta
do Verão é sensível à luz - como as ombreiras das
portas ou o restolho batido pela impossibilidade
do vento - e eu acredito.
Alguma coisa há de verdade em tudo isto
(nenhum regresso está preso às pálpebras):
olho por dentro do silêncio e o negrume
é nítido como um grito.
Sandra Costa, «Nenhuma Flor»
31 de Julho de 2009
amplas sombras digladiam-se
na inclinação dos girassóis
quando o sol se demite -
(boas férias a todos!)
na inclinação dos girassóis
quando o sol se demite -
(boas férias a todos!)
23 de Julho de 2009
os olhos vertem as lágrimas
oceanos de erosão
nas palavras resgatadas
às linhas do coração.
ser cada madrugada
a névoa que recolhemos
nas paredes da memória,
o labor dos dedos
no tacto da raiz frágil
dos declives da casa.
os olhos como cristais cansados
o coração como rumor entre margens.
oceanos de erosão
nas palavras resgatadas
às linhas do coração.
ser cada madrugada
a névoa que recolhemos
nas paredes da memória,
o labor dos dedos
no tacto da raiz frágil
dos declives da casa.
os olhos como cristais cansados
o coração como rumor entre margens.
15 de Julho de 2009
mergulho com o sol nas águas
frias do mar
destino de náufrago
sob a cumplicidade lunar.
um fino fio de luz
desfalecendo lento
na travessia do corpo
do coração desnudo
das mãos que abraçam
o silêncio inteiro.
na metamorfose das águas
devolvo ao mar as palavras.
frias do mar
destino de náufrago
sob a cumplicidade lunar.
um fino fio de luz
desfalecendo lento
na travessia do corpo
do coração desnudo
das mãos que abraçam
o silêncio inteiro.
na metamorfose das águas
devolvo ao mar as palavras.
8 de Julho de 2009
a varanda de onde contemplo o céu
assim, quase de igual para igual
o céu tão quieto de silêncio
sobre as casas da infância
a infância pedra a pedra rente
às paredes desbotadas no tempo
das interrogações ditas intemporais
as ruas habitam o silêncio ou o ruído
assim, quase de igual para igual
o céu tão quieto de silêncio
sobre as casas da infância
a infância pedra a pedra rente
às paredes desbotadas no tempo
das interrogações ditas intemporais
as ruas habitam o silêncio ou o ruído
30 de Junho de 2009
passeamos os corpos sob o entardecer.
luz difusa em meio das nuvens paradas
consente o olhar na ilusão: céu lápis-lazúli
como se o mar se tivesse espraiado alto
com suas marés de brancura espumosa.
como se vogássemos nas dobras do vento.
um calafrio segreda da vida num respiro.
luz difusa em meio das nuvens paradas
consente o olhar na ilusão: céu lápis-lazúli
como se o mar se tivesse espraiado alto
com suas marés de brancura espumosa.
como se vogássemos nas dobras do vento.
um calafrio segreda da vida num respiro.
23 de Junho de 2009
são muito lentos os passos
em meio das urtigas agrestes.
no céu um pássaro traça um voo picado.
uma penitência em tão inóspito lugar
soa a dor mais forte do que a razão pode julgar.
em meio das urtigas agrestes.
no céu um pássaro traça um voo picado.
uma penitência em tão inóspito lugar
soa a dor mais forte do que a razão pode julgar.
16 de Junho de 2009
amanhecer raro este de
assombro de pássaros nos beirais
nos ramos desta primavera tardia
com seu trinado de improviso.
contam histórias de flores à beira da estrada
semeadas pela força de um vento árido
de pinhais imensos dourados
em dias de sol condescendente
e depois as searas tresloucadas
por meio das aldeias brancas
de casinhas térreas e os meninos
girando piões até às nuvens
do mel escorrendo as encostas
por terra arenosa e as dunas
a anunciar o espantoso mar
as reverberações das vagas frias
de borboletas esfusiantes asas lapidadas
e coração inocente de ventos e temporais
do esplendor de uma fulguração quotidiana.
assombro de pássaros nos beirais
nos ramos desta primavera tardia
com seu trinado de improviso.
contam histórias de flores à beira da estrada
semeadas pela força de um vento árido
de pinhais imensos dourados
em dias de sol condescendente
e depois as searas tresloucadas
por meio das aldeias brancas
de casinhas térreas e os meninos
girando piões até às nuvens
do mel escorrendo as encostas
por terra arenosa e as dunas
a anunciar o espantoso mar
as reverberações das vagas frias
de borboletas esfusiantes asas lapidadas
e coração inocente de ventos e temporais
do esplendor de uma fulguração quotidiana.
9 de Junho de 2009
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