LIVROS
leio as tuas palavras nas horas de vasto silêncio
meu silêncio vasto, teu oceano das noites brancas.
escuto a tua voz, desperto a minha voz. renasço
como ave a cada voo nas tuas palavras cristais.
as cumplicidades são as linhas de um horizonte
que inscrevo na memória. contra o tempo,
nas águas que desaguam novos os caminhos.
10 de Fevereiro de 2010
1 de Fevereiro de 2010
no princípio era o mar,
matéria de águas nativas
vagas cavas na fundura
a explodir os escolhos
as fragas a terra intacta.
uma brancura, quebra
extrema do marulhar
ressoado em sulcar
latejos de cintilação
anoitecidos às estrelas.
uma itinerância, liquidez
de maresia a baloiçar sal
como espelho irresoluto
do fulgor aceso no ar
da poalha ou neblina.
no princípio era o mar,
inefável inteireza.
matéria de águas nativas
vagas cavas na fundura
a explodir os escolhos
as fragas a terra intacta.
uma brancura, quebra
extrema do marulhar
ressoado em sulcar
latejos de cintilação
anoitecidos às estrelas.
uma itinerância, liquidez
de maresia a baloiçar sal
como espelho irresoluto
do fulgor aceso no ar
da poalha ou neblina.
no princípio era o mar,
inefável inteireza.
18 de Janeiro de 2010
escrevo
os rios rubros
da lava vertida
brasa, imolação
tremenda.
a escassez do arado
os leitos cálidos
a devastação, cutelos
nas raizes.
as espirais velozes
como espectros cinza
a despenhar caos,
uma voragem.
as margens desvalidas
no sorvedouro vasto
das vagas, em tragos
à fundura.
as fissuras da terra
a desabar como vidro
dilacerado, o peso
das pedras.
escrevo
a fuligem das vozes
esquivas à indigência
os gatilhos surdos
como sismos, estilhaços.
as casas os troncos
as aves refugiadas
as vidas as campas
os sonhos mudos.
e por dentro da ruína
os rostos de um dia,
olhares em suspensão
ou mãos em despertar
um dia outro, um dia outro.
6 de Janeiro de 2010
O CÉU NÃO MUDA
...
Lá fora, as gotas de chuva insistem em cair, engrossando sobre os vidros foscos da janela e os ramos das árvores desesperam-se em vão. De tempos a tempos, uma figura apressada rasteja a parede rumo ao lar.
Ele encontrara abrigo ali. O único cliente. O empregado levantou-se com relutância.
- O do costume?
Anuiu com a cabeça. A nuca destapada fê-lo tremer. O céu não muda.
- O céu não muda - disse.
Sentiu-se nu por dentro. Necessitava absolutamente de criar, era-lhe indispensável como o ar que respirava ou a água que lhe lavava o organismo e renovava as energias. Mas o vazio instalara-se. E o desconforto também. Semanas a fio assaltadas por questões incontornáveis, noites de insónia não resolvidas, horas de espera aguardando um sinal íntimo, e a existência estagnara naquele fim de mundo, de caminhos de pedra, onde pensara recuperar da inércia que o dominava há meses. As palavras de E. não lhe saíam da cabeça. O vazio antecede a criação, dissera. Mas como tardava a metarmofose! Um homem ávido de céu e luz... Assaltou-o o medo de um ser kafkiano, isolado na sua inabitabilidade. Fechou-se ao devaneio.
- Se o dia acabasse aqui mesmo.
- Que disse?
Olhou o empregado com espanto. Por momentos, esquecera a mesa em que se apoiava, de tampo de mármore rachado e pé de ferro antigo, o chão de azulejo xadrezado, mosaico gasto e mal lavado, o balcão corrido, as moscas e até as vozes vindas do aparelho de televisão ao canto da sala. A simplicidade dos objectos era-lhe, de algum modo, familiar. Ou talvez não. Simplicidade era coisa que não existia na sua vida. Só lágrimas soltas, gota a gota, fiapos de lonjura. Se tudo acabasse ali. Na noite de um café de beira de estrada.
In «Revista Sol XXI», nº 1997
Ele encontrara abrigo ali. O único cliente. O empregado levantou-se com relutância.
- O do costume?
Anuiu com a cabeça. A nuca destapada fê-lo tremer. O céu não muda.
- O céu não muda - disse.
Sentiu-se nu por dentro. Necessitava absolutamente de criar, era-lhe indispensável como o ar que respirava ou a água que lhe lavava o organismo e renovava as energias. Mas o vazio instalara-se. E o desconforto também. Semanas a fio assaltadas por questões incontornáveis, noites de insónia não resolvidas, horas de espera aguardando um sinal íntimo, e a existência estagnara naquele fim de mundo, de caminhos de pedra, onde pensara recuperar da inércia que o dominava há meses. As palavras de E. não lhe saíam da cabeça. O vazio antecede a criação, dissera. Mas como tardava a metarmofose! Um homem ávido de céu e luz... Assaltou-o o medo de um ser kafkiano, isolado na sua inabitabilidade. Fechou-se ao devaneio.
- Se o dia acabasse aqui mesmo.
- Que disse?
Olhou o empregado com espanto. Por momentos, esquecera a mesa em que se apoiava, de tampo de mármore rachado e pé de ferro antigo, o chão de azulejo xadrezado, mosaico gasto e mal lavado, o balcão corrido, as moscas e até as vozes vindas do aparelho de televisão ao canto da sala. A simplicidade dos objectos era-lhe, de algum modo, familiar. Ou talvez não. Simplicidade era coisa que não existia na sua vida. Só lágrimas soltas, gota a gota, fiapos de lonjura. Se tudo acabasse ali. Na noite de um café de beira de estrada.
In «Revista Sol XXI», nº 1997
31 de Dezembro de 2009
24 de Dezembro de 2009
BLUES DO DESERTO
os ecos ressoam ainda por dentro das cinzas,
aragem feroz de tantas as ruínas desfalecidas.
gritos mudos nas aldeias deserdadas do deserto,
sangue crestado a esvair sob a crua aridez da terra.
sangue a esvair violenta a gravidez das mulheres
e nascem crianças, pequenos corpos de sede:
rosas do deserto, essas crianças de olhos imensos.
suspensas as pálpebras na ardência do sol, o sonho,
amanhecer cada dia na miragem de uma assombrosa
maresia, ou da brancura de um trilho de respiração.
como aves nómadas, serem medo contra o vento,
vida contra a morte. crescerem os passos às nuvens,
fábulas escutadas na noite, breves clivagens no tempo:
rosas do deserto, essas crianças de olhos imensos.
os ecos ressoam ainda por dentro das cinzas,
aragem feroz de tantas as ruínas desfalecidas.
gritos mudos nas aldeias deserdadas do deserto,
sangue crestado a esvair sob a crua aridez da terra.
sangue a esvair violenta a gravidez das mulheres
e nascem crianças, pequenos corpos de sede:
rosas do deserto, essas crianças de olhos imensos.
suspensas as pálpebras na ardência do sol, o sonho,
amanhecer cada dia na miragem de uma assombrosa
maresia, ou da brancura de um trilho de respiração.
como aves nómadas, serem medo contra o vento,
vida contra a morte. crescerem os passos às nuvens,
fábulas escutadas na noite, breves clivagens no tempo:
rosas do deserto, essas crianças de olhos imensos.
10 de Dezembro de 2009
LEITURAS # 31
TODA A GENTE
Toda a gente critica o telemóvel do vizinho
Mas no fundo toda a gente queria ter um igualzinho
Toda a gente grita: todos diferentes todos iguais!
Mas se calhar há uns quantos bacanos a mais
Toda a gente quer ser solidária
Mas na hora da verdade toda a gente desaparece da área
Toda a gente quer ser muito moderna
Mas a tacanhez essa há-de ser eterna
Toda a gente quer fazer algo de original
Acabando por copiar aquilo que acham original
Toda a gente repara que acabo duas frases da mesma maneira
(se for esse o caso toda a gente caiu na ratoeira)
Apenas quero confirmar se estou a receber a devida atenção
Da parte de toda a gente que ouve essa canção
Toda a gente precisa de parar e relaxar um bocado
E eu, como toda a gente, já ‘tou stressado
Refrão:
Pego no microfone e faço disso o meu talento
Por fora, por dentro, mostrando o meu rebento
Superficial, composto, directo e indirecto
Tá-se cool e tá-se bem
Entrega-te ao meu som é agora o que convém
Toda a gente critica
Toda a gente tem muita pica,
Mas é na mesa do café que toda a acção fica,
Não há dinheiro que pague este sozinho…
Manda mas é vir mais um cafézinho
Toda a gente até compra camisa
Mas dessa treta ao fim ao cabo já ninguém precisa
Toda a gente fala da situação em Timor
Muitos para ganharem algo, e muito poucos por amor
Há quem costume falar de revolução
Mas a revolução não vai ser transmitida na televisão
Ela tem que acontecer dentro de cada um
Caso contrário nunca chegaremos a lugar algum
Há quem queira resolver os problemas do mundo inteiro
De uma só vez, confiante, tal e qual um bom escuteiro
Mas enquanto se perseguem tão nobres ideais
Esquecemo-nos de limpar os nossos quintais
Tentamos combater todos os males da terra
Quando afinal é na nossa casa que começa a guerra
Toda a gente devia parar de falar olhar para dentro e agir
Virgul – dá-lhe a seguir
Refrão
Carlos Pac Nobre e Bruno Silva (Da Weasel), in “3º Capítulo”
Toda a gente critica o telemóvel do vizinho
Mas no fundo toda a gente queria ter um igualzinho
Toda a gente grita: todos diferentes todos iguais!
Mas se calhar há uns quantos bacanos a mais
Toda a gente quer ser solidária
Mas na hora da verdade toda a gente desaparece da área
Toda a gente quer ser muito moderna
Mas a tacanhez essa há-de ser eterna
Toda a gente quer fazer algo de original
Acabando por copiar aquilo que acham original
Toda a gente repara que acabo duas frases da mesma maneira
(se for esse o caso toda a gente caiu na ratoeira)
Apenas quero confirmar se estou a receber a devida atenção
Da parte de toda a gente que ouve essa canção
Toda a gente precisa de parar e relaxar um bocado
E eu, como toda a gente, já ‘tou stressado
Refrão:
Pego no microfone e faço disso o meu talento
Por fora, por dentro, mostrando o meu rebento
Superficial, composto, directo e indirecto
Tá-se cool e tá-se bem
Entrega-te ao meu som é agora o que convém
Toda a gente critica
Toda a gente tem muita pica,
Mas é na mesa do café que toda a acção fica,
Não há dinheiro que pague este sozinho…
Manda mas é vir mais um cafézinho
Toda a gente até compra camisa
Mas dessa treta ao fim ao cabo já ninguém precisa
Toda a gente fala da situação em Timor
Muitos para ganharem algo, e muito poucos por amor
Há quem costume falar de revolução
Mas a revolução não vai ser transmitida na televisão
Ela tem que acontecer dentro de cada um
Caso contrário nunca chegaremos a lugar algum
Há quem queira resolver os problemas do mundo inteiro
De uma só vez, confiante, tal e qual um bom escuteiro
Mas enquanto se perseguem tão nobres ideais
Esquecemo-nos de limpar os nossos quintais
Tentamos combater todos os males da terra
Quando afinal é na nossa casa que começa a guerra
Toda a gente devia parar de falar olhar para dentro e agir
Virgul – dá-lhe a seguir
Refrão
Carlos Pac Nobre e Bruno Silva (Da Weasel), in “3º Capítulo”
2 de Dezembro de 2009
LEITURAS # 30
recompostos de vento
surgimos do sinuoso obscurecimento.
trazemos uma matéria espessa colada às lágrim
aso embuste que embacia os lábio
se um rosto como um adeus
alongado pelo salitre do mundo.
pousamos o indecifrável nome das coisas
sequer a razão das fugas.
afinal quem fomos o que somos?
nós que um dia decidimos a trajectória dos passos pelos sinais do azul
obstinados no caminho onde os sussurros são mais cúmplices.
perseguimos a verdade de coisa nenhuma.
como companhia a incomensurável solidão das árvores
quando o sol se inclina com o peso das mãos cheias de febre.
quem somos se não sabemos regressar ao riso iluminado das crianças
à geografia de uma pátria que julgámos eterna?
recompostos de vento
surgimos para o lugar de nadas
as pálpebras cansadas de corpos invisíveis
até que a terra desperte de um doentio sono.
Maré, do blog Marés de Espanto
surgimos do sinuoso obscurecimento.
trazemos uma matéria espessa colada às lágrim
aso embuste que embacia os lábio
se um rosto como um adeus
alongado pelo salitre do mundo.
pousamos o indecifrável nome das coisas
sequer a razão das fugas.
afinal quem fomos o que somos?
nós que um dia decidimos a trajectória dos passos pelos sinais do azul
obstinados no caminho onde os sussurros são mais cúmplices.
perseguimos a verdade de coisa nenhuma.
como companhia a incomensurável solidão das árvores
quando o sol se inclina com o peso das mãos cheias de febre.
quem somos se não sabemos regressar ao riso iluminado das crianças
à geografia de uma pátria que julgámos eterna?
recompostos de vento
surgimos para o lugar de nadas
as pálpebras cansadas de corpos invisíveis
até que a terra desperte de um doentio sono.
Maré, do blog Marés de Espanto
20 de Novembro de 2009
defendem o sono no desabrigo
da negrura nocturna, na humidade
de um banco de gare ou de jardim,
na agrura rasa das pedras. mantas
cor da calçada, retorcidos os ossos,
como náufragos em meio de temporal,
fissuras mudas sem sutura sem rumo
à margem do marulhar voraz da cidade.
a tempos, pela penumbra outros os passos
na efervescência intransigente das horas
declinam o olhar ao rosto da orfandade
ao triste esteiro de orvalho, uma falência.
as aves aninhadas já não voam perto.
eles dormem - esses homens - e vivem
em silêncio, contra o medo contra a morte,
rastro de um fôlego de um luto em suspensão.
da negrura nocturna, na humidade
de um banco de gare ou de jardim,
na agrura rasa das pedras. mantas
cor da calçada, retorcidos os ossos,
como náufragos em meio de temporal,
fissuras mudas sem sutura sem rumo
à margem do marulhar voraz da cidade.
a tempos, pela penumbra outros os passos
na efervescência intransigente das horas
declinam o olhar ao rosto da orfandade
ao triste esteiro de orvalho, uma falência.
as aves aninhadas já não voam perto.
eles dormem - esses homens - e vivem
em silêncio, contra o medo contra a morte,
rastro de um fôlego de um luto em suspensão.
5 de Novembro de 2009
este tanger dos sinos
pela madrugada, uma récita
a dizer dor a dizer morte,
e depois as sirenes
a tantas as horas.
o frenesi repisado
das sirenes, palidez
no interior do fino aguaceiro,
gotas de sangue pelas artérias
da cidade.
uma urgência desabrida
a romper rumos,
como espuma de águas picadas
em desvio dos penhascos
em arremesso ao areal.
sulcos invisíveis
aos olhares de pedra,
às paredes escoadas de água
nos instantes de luz enfermiça
que o sol consente no horizonte.
pela madrugada, uma récita
a dizer dor a dizer morte,
e depois as sirenes
a tantas as horas.
o frenesi repisado
das sirenes, palidez
no interior do fino aguaceiro,
gotas de sangue pelas artérias
da cidade.
uma urgência desabrida
a romper rumos,
como espuma de águas picadas
em desvio dos penhascos
em arremesso ao areal.
sulcos invisíveis
aos olhares de pedra,
às paredes escoadas de água
nos instantes de luz enfermiça
que o sol consente no horizonte.
26 de Outubro de 2009
o alvoroço do vento, transtorno
na travessia da luz matinal.
suspeito o labor encurvado
na tremura dos campos,
a débil resistência das folhas
no desassossego das ramagens,
a despedida acelerada das aves
sacudidas nas asas da sua intuição,
as águas nervosas do alto mar
a roncarem por dentro das casas.
diz o vento evidências dos lugares.
e eu escuto este linguarejar pulmonar.
respiro agora a janela aberta da casa
por onde as vagas de cortinados fogem,
como fogem todos os instantes da vida.
na travessia da luz matinal.
suspeito o labor encurvado
na tremura dos campos,
a débil resistência das folhas
no desassossego das ramagens,
a despedida acelerada das aves
sacudidas nas asas da sua intuição,
as águas nervosas do alto mar
a roncarem por dentro das casas.
diz o vento evidências dos lugares.
e eu escuto este linguarejar pulmonar.
respiro agora a janela aberta da casa
por onde as vagas de cortinados fogem,
como fogem todos os instantes da vida.
12 de Outubro de 2009
ferozes, as portas abrem e fecham
como golpes sucessivos de mar
contra a superfície da moradia.
formas de desastrado furor na fuga do desencanto.
a rebentação irada dos passos sobre o soalho.
as grades verticais sobre os jovens lábios mudos.
a implosão do corpo na orla do momento seguinte.
como golpes sucessivos de mar
contra a superfície da moradia.
formas de desastrado furor na fuga do desencanto.
a rebentação irada dos passos sobre o soalho.
as grades verticais sobre os jovens lábios mudos.
a implosão do corpo na orla do momento seguinte.
2 de Outubro de 2009
não conservei as flores que me deste.
rosas da roseira brava do alpendre vizinho,
enlaçaste-as e estendeste-mas sorridente
e eu segurei o ramo em risos pueris,
rosas rubras na floração dos meus braços.
tempos houve em que o céu amanhecia de azul
a praia onde respirávamos fábulas transparentes
e a orla das marés vinha mansa, acariciar-me.
as gaivotas estridentes riam do alto dos penhascos.
nós escalávamos sem medo até ao ponto mais alto,
eu rasgava o vestido nas silvas e não me importava.
recordo efémeros passeios pelos declives do entardecer,
anos depois, com amigos de silêncios e paixões.
mas não conservei as flores que me deste.
rosas da roseira brava do alpendre vizinho,
enlaçaste-as e estendeste-mas sorridente
e eu segurei o ramo em risos pueris,
rosas rubras na floração dos meus braços.
tempos houve em que o céu amanhecia de azul
a praia onde respirávamos fábulas transparentes
e a orla das marés vinha mansa, acariciar-me.
as gaivotas estridentes riam do alto dos penhascos.
nós escalávamos sem medo até ao ponto mais alto,
eu rasgava o vestido nas silvas e não me importava.
recordo efémeros passeios pelos declives do entardecer,
anos depois, com amigos de silêncios e paixões.
mas não conservei as flores que me deste.
24 de Setembro de 2009
sabemos como as amoras silvestres
escorrem licorosas nas bocas,
sílabas doces de tardes quentes.
sílabas sequiosas do poema,
segredos da linguagem do amor
inscritos nas silvas maduras
como ramos únicos de sensíveis,
instintivos no aroma dos troncos,
que se entrelaçam num labirinto de luz
de uma margem e outra do caminho.
escorrem licorosas nas bocas,
sílabas doces de tardes quentes.
sílabas sequiosas do poema,
segredos da linguagem do amor
inscritos nas silvas maduras
como ramos únicos de sensíveis,
instintivos no aroma dos troncos,
que se entrelaçam num labirinto de luz
de uma margem e outra do caminho.
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