30 de Junho de 2010

os pássaros navegam os cais
em meio dos corpos crespos de lonjura.
gestação do incêndio nos rostos
nos olhares nómadas sobre o mundo.

tragam a rasgos o rumo das marés mudas
reinventam o fado no sangue das casas
na matéria interior da sua solidão.

ofício das asas, velas inteiras de errância.

11 comentários:

hfm disse...

belos os nómadas da errância.

Alien8 disse...

Dois poemas de que gostei, e muito.
Ainda há quem lute, de facto.

APC disse...

cada um de nós é navegador desse cais-maior! errantes sim. como se não houvessem portos de abrigo. na falta deles, abrigo-me aqui entre as [tuas] palavras.
beijinhos.

Mar Arável disse...

Os "melhores" pássaros

são os do pensamento

porque lhes dão asas

e marés desgrenhadas

CamilaSB disse...

A luta dos pássaros que voam
em constante errância...
Olá Maria...belo e profundo o seu poema...gostei muito parabéns!
Obrigada pelas suas palavras. Bjo!

Vieira Calado disse...

Mais um... bem bonito!

Saudações poéticas

Ana disse...

Navegando nas tuas palavras se apaga a solidão.
Tão belo, Maria Manuel!
Um beijo *

AC disse...

Um olhar sentido sobre errâncias várias, traduzidas num elo comum.

Penetrante!

heretico disse...

pássaros errantes. no fogo fogo das marés (mudas que sejam...)

belissimo. aqui. sempre.

beijos

Licínia Quitério disse...

Errantes nós, os pássaros, nas casas, nos cais, reinventando.

Poema lindo, dorido, tão verdade!

Beijo grande.

Graça Pires disse...

"tragam a rasgos o rumo das marés mudas" Belíssimo!
Um beijo.