19 de Julho de 2010

digamos dos homens que respiram
nas margens daninhas da razão,
que assinam o corpo da terra inteira
por sobre as fracturas expostas da terra.

são muros violentos em resvalar palavras:
cascalho e neblina de espuma encenada.
erosão despenhando-se nos rostos de falência.

como veios vazios, logros na lonjura do rio.

12 comentários:

Mar Arável disse...

Do ventre até à foz

que se salvem as águas

desaguem livres

e simples

mas de pé

Graça Pires disse...

Um poema melancólico...
Sabemos que o coração não tem margens. É um mar frágil nos olhos desprevenidos dos homens...
Um beijo, Maria Manuel.

heretico disse...

"...há que fazer-nos ao mar, antes que sequem os rios"! (Adriano)

gostei muito

beijos

Ana disse...

Poema de desencanto com a intensidade que te conheço!

Um beijo, Maria Manuel *

helia disse...

Um lindo Poema!Gostei muito deste cantinho de Poesia que visitei pela 1ª vez.

Licínia Quitério disse...

O desencanto dos homens que o logro violentou.
Há que tentar a outra margem.

Beijinho, Maria Manuel.

gabriela r martins disse...

simples fissuras de NÓS....!




.
um beijo

CamilaSB disse...

«digamos» que esses homens asfixiam o curso espontâneo dos rios em represas de agrura...
Um poema muito bem escrito que nos faz reflectir...beijinho e obrigada pelo carinho!

AC disse...

Os homens são "como veios vazios,logros na lonjura do rio", e não há sinais evidentes de retrocesso na sua predação. Apenas um esgar aqui e ali...

Gostei muito!

© Piedade Araújo Sol disse...

melancolico,mas, encerra verdade...

beij

Vieira Calado disse...

Bem bonito...

como eu já esperava...


Beijinhosss

Maria Toscano disse...

digamos. e disse. está dito.
obrigada.
mt