2 de Setembro de 2010

as mulheres estugam os baldes
a redundar, para a fornalha
onde os homens batem as brasas
com ramagens órfãs do mato.

alongam as mangueiras os passos
fendendo sulcos impensáveis, como
ribeiros a cada curva na paisagem,
essa gente vestida de labaredas.

rumor último na idade dos troncos
nos rostos calcinados na noite:
pêndulo de vento na poalha de cinza.

8 comentários:

Licínia Quitério disse...

Que reflexão espantosa da tragédia que assolou "essa gente vestida de labaredas". Imagens fortíssimas.

Um beijinho muito sentido, Maria Manuel.

Mar Arável disse...

Belo e fundo

Bj

Amélia disse...

Belo s atento ao que o poeta vê em seu derredor.

DE-PROPOSITO disse...

rumor último
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Um rumor que pode ser uma melodia.
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Felicidades.
Manuel

Vieira Calado disse...

Belo,

o seu poema!

Gostei.

Sem reservas.

Bjs

* A sua interpretação do meu "moi"

é, a meu ver, judiciosa,

de quem sabe.

Graça Pires disse...

As mulheres vestidas de labaredas hão-de incendiar o coração dos homens que amam para que a vida se torne mais bela.
Um belíssimo poema, Maria Manuel.
Um beijo.

heretico disse...

poema de excelência.

pelo tema.
pela arte e talento. teu

beijos

gabriela r martins disse...

intenso ,belo e ,infelizmente ,actualíssimo este teu poema//metáfora



.
um beijo