os ramos desenlaçam as folhas
pálidas no vento da estação
que é de outono o aroma da terra,
mas o país ainda arde, de rapace
autismo à inteireza do mar.
e no limiar cantos de ruas serão incêndio
e as paredes, a rebentar fissuras,
as campânulas de luz em desgaste.
e serão breves as palavras nas casas,
sem respiração assistida, sem pão,
os canteiros de rosas ressequidas,
o embate da desordem nas águas do desejo.
esvaem as cinzas na curva do vento,
curva das aves que conspiram exílios,
em terra cais à deriva, rumos incertos.
8 comentários:
o outono inspirou e das mãos da autora saiu este belissimo poema, tão completo.
maria manuel, meu parabéns!
um beij
Texto que reflete magistralmente a época: as cinzas, o vento, as folhas...
A autora no seu clímax...
cinzas que luzem...
poema belíssimo.
beijos
Incertas também são as belas tempestades
Belas as tuas palavras
"é de outono o aroma da terra" por isso há um bosque inesperado nas palavras onde nos refugiamos...
Um belíssimo poema.
Um grande beijo.
Outono, qual?
O outono ainda mais outono que se avizinha?
Gostei do seu poema,
Saudações poéticas
Neste outono tão incertos são os rumos.
Gostei imenso deste teu poema. Tão intensa esta paisagem de versos.
Beijo.
sabes que de, benditos, rumos incertos, vim parar aqui!?
graças!
beijos te seguindo!
e espero visitas!
ficarei mais que honrada!
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