22 de Outubro de 2010

os ramos desenlaçam as folhas
pálidas no vento da estação
que é de outono o aroma da terra,
mas o país ainda arde, de rapace
autismo à inteireza do mar.

e no limiar cantos de ruas serão incêndio
e as paredes, a rebentar fissuras,
as campânulas de luz em desgaste.
e serão breves as palavras nas casas,
sem respiração assistida, sem pão,
os canteiros de rosas ressequidas,
o embate da desordem nas águas do desejo.

esvaem as cinzas na curva do vento,
curva das aves que conspiram exílios,
em terra cais à deriva, rumos incertos.

8 comentários:

© Piedade Araújo Sol disse...

o outono inspirou e das mãos da autora saiu este belissimo poema, tão completo.

maria manuel, meu parabéns!

um beij

rouxinol de Bernardim disse...

Texto que reflete magistralmente a época: as cinzas, o vento, as folhas...

A autora no seu clímax...

heretico disse...

cinzas que luzem...
poema belíssimo.

beijos

Mar Arável disse...

Incertas também são as belas tempestades

Belas as tuas palavras

Graça Pires disse...

"é de outono o aroma da terra" por isso há um bosque inesperado nas palavras onde nos refugiamos...
Um belíssimo poema.
Um grande beijo.

Vieira Calado disse...

Outono, qual?

O outono ainda mais outono que se avizinha?

Gostei do seu poema,

Saudações poéticas

Licínia Quitério disse...

Neste outono tão incertos são os rumos.

Gostei imenso deste teu poema. Tão intensa esta paisagem de versos.

Beijo.

Carla Diacov disse...

sabes que de, benditos, rumos incertos, vim parar aqui!?


graças!


beijos te seguindo!


e espero visitas!


ficarei mais que honrada!