“Somos folhas breves onde dormem
aves de sombra e solidão.
Somos só folhas e o seu rumor.”
Eugénio de Andrade, “As Mãos e os Frutos”
ressoa a voz do vento
em vagas nas ramagens
vogando a casa vagamundo.
e é o mar que escuto dentro
marulho em quebranto
na caliça das paredes.
somos breves nesse linguajar,
a romper do silêncio
para a romagem da idade.
breves somos o ramo
na pedra agreste da nascente,
por onde as aves nomeiam os passos.
somos as asas como nómadas,
nas bocas as sílabas suspensas
no espanto das madrugadas.
breves somos as folhas do ramo
na geografia solitária dos nomes,
as ínfimas folhas que se desprendem
no inabitável pêndulo da vida,
em ondulação das marés frias.
12 comentários:
Um encadeado de cadências e de palavras. Belíssimo!
Olá, viva!
Como tem passado?
Desejo-lhe um
BOM ANO de 2011!
Beijinho
De facto somos breves
como asas de papoila
mas voamos
nas palavras
somos breves sim em muitos sentidos..
gostei do teu poema e desejo-te um bom ano.
beij
pois somos..
somos breves e precários
como a geografia do sol sobre a nascente
e não há rio que alimente a nossa voz
carregada de limbos nos telhados do tempo.
só uma persistência de pássaro ferido
bem rente ao chão
nos alinha as asas.
___
regresso ao ninho
no repouso merecido das asas
e deixo um beijo e um sorriso maria
gostei muito.
belo como o voo delicado das aves em fim de tarde. uma certa melancolia doce que se respira.
beijos
"somos as asas como nómadas,
nas bocas as sílabas suspensas
no espanto das madrugadas."
Um belo poema, Maria Manuel.
Beijos
O rumor que torna intensa a brevidade das folhas!
Um beijo para ti *
Gostei do conteúdo do blogue.
Se quiser, visita: palavras-incompletas.blogspot.com
Gostei imenso de a ler. Parabéns. Vou continuar a seguir o seu blogue.
Gostei muito de a ler.
Obrigada.
a brevidade muito bem tocada .......... num poetar a preceito
.
um beijo
( lamento que o tempo ,de quando em vez me obrigue a ser tão breve... )
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