6 de Janeiro de 2011

“Somos folhas breves onde dormem
aves de sombra e solidão.
Somos só folhas e o seu rumor.”

Eugénio de Andrade,
“As Mãos e os Frutos”


ressoa a voz do vento
em vagas nas ramagens
vogando a casa vagamundo.
e é o mar que escuto dentro
marulho em quebranto
na caliça das paredes.

somos breves nesse linguajar,
a romper do silêncio
para a romagem da idade.
breves somos o ramo
na pedra agreste da nascente,
por onde as aves nomeiam os passos.
somos as asas como nómadas,
nas bocas as sílabas suspensas
no espanto das madrugadas.

breves somos as folhas do ramo
na geografia solitária dos nomes,
as ínfimas folhas que se desprendem
no inabitável pêndulo da vida,
em ondulação das marés frias.

12 comentários:

hfm disse...

Um encadeado de cadências e de palavras. Belíssimo!

Vieira Calado disse...

Olá, viva!

Como tem passado?

Desejo-lhe um

BOM ANO de 2011!

Beijinho

Mar Arável disse...

De facto somos breves

como asas de papoila

mas voamos

nas palavras

© Piedade Araújo Sol disse...

somos breves sim em muitos sentidos..

gostei do teu poema e desejo-te um bom ano.

beij

maré disse...

pois somos..

somos breves e precários
como a geografia do sol sobre a nascente
e não há rio que alimente a nossa voz
carregada de limbos nos telhados do tempo.
só uma persistência de pássaro ferido
bem rente ao chão
nos alinha as asas.

___

regresso ao ninho
no repouso merecido das asas
e deixo um beijo e um sorriso maria

heretico disse...

gostei muito.

belo como o voo delicado das aves em fim de tarde. uma certa melancolia doce que se respira.

beijos

Graça Pires disse...

"somos as asas como nómadas,
nas bocas as sílabas suspensas
no espanto das madrugadas."
Um belo poema, Maria Manuel.
Beijos

Ana disse...

O rumor que torna intensa a brevidade das folhas!

Um beijo para ti *

Manuel Rosa disse...

Gostei do conteúdo do blogue.

Se quiser, visita: palavras-incompletas.blogspot.com

Arroba disse...

Gostei imenso de a ler. Parabéns. Vou continuar a seguir o seu blogue.

Maria Costa disse...

Gostei muito de a ler.

Obrigada.

gabriela r martins disse...

a brevidade muito bem tocada .......... num poetar a preceito



.
um beijo
( lamento que o tempo ,de quando em vez me obrigue a ser tão breve... )